Uma vez por ano eu decido cancelar meu Spotify e tentar novas plataformas. Não é nada marcado ou uma meta, é apenas o fato de que frequentemente eu sinto que o Spotify não é uma boa plataforma, ele apenas é a mais popular.

Na minha vida de streaming de músicas eu já passei por: Rdio, Deezer, Tidal, Apple Music, Google Music, YouTube Music e o Spotify. De todos estes, dois se destacavam por permitir que eu subisse minhas próprias músicas e pudesse ouvir online: Apple Music e Google Music. Isso era importante no começo da transição mp3 para streaming porque eu tinha um biblioteca imensa de músicas e não queria perder isso. Com o passar do tempo esse fato foi ficando menos relevante.

O caos vs calma

A realidade é que eu comecei a usar o Spotify há muitos anos, comecei pelo "Oi Rdio" e depois migrei pro Spotify quando ele chegou oficialmente aqui no Brasil. Eu gostava, a interface era simples, fácil de entender e usar. Era possível saber onde tudo estava.

saudades

Repare como era algo simples: lista simples de música, mini player na direita, uma tab de "Suas Músicas" onde naturalmente você acessava sua biblioteca, a tab de Rádios, descoberta e busca.

Era isso. Tudo muito fácil.

Hoje o Spotify beira o caos. Para ser bem justo vou usar a tela de um álbum que é a mais "limpa" de todo o serviço.

Agora me responde: Por que?

Sim, talvez tenha ficado mais bonito se olharmos para estética, mas temos bem mais informações nem sempre relevantes e uma tela que é difícil de entender qual caminho seguir. Vale destacar que talvez o mini player inferior seja um grande acerto.

A busca mudou para o topo, assim como o ícone da home. Então supostamente a navegação principal é lá? Não! Ela ocorre na barra da esquerda onde existe aquela sequência quase indistinguível de coisas. Sim, coisas, pois tem de tudo ali: artistas, álbuns, pastas, playlists, podcasts... Milagre não ter um stories do tipo instagram ali.

E o Spotify expandiu seus domínios, decidiu que ia oferecer podcast, que até então era uma das poucas mídias ainda restantes que não tinha sido apropriada por nenhuma plataforma monopolista. Pois bem, alguém achou que só porque os dois eram áudio fazia sentido enfiar todos eles na mesma interface. Agora minha "home" caótica que parece a TimesSquare tem podcasts também, olha que fácil de entender...

Enfim, o caos. Eu amo ter informações, mas as vezes eu só queria ouvir uma música sem ser bombardeado por todas as cores existentes. Não quero ter no Spotify o mesmo dilema de escolha que tenho na Netflix. Eu quero que seja fácil e rápido escolher e ouvir uma música.

E pode reparar, qualquer outra plataforma é menos pior. Nem todas são como o Deezer, mas pelo menos a navegação faz sentido.

Pertencimento

Uma outra coisa que eu buscava em outros streamings que o Spotify não me entregava e recentemente eu descobri: pertencimento. Depois de anos sendo bombardeado por sugestões de algoritmos, propagandas e até podcasts eu percebi que queria ouvir as minhas músicas. Não minhas músicas antigas, não era o sentimento de nostalgia, mas eu queria ter a sensação de que eu tinha uma biblioteca de música que eu as escolhi e queria ter fácil acesso a essas músicas.

Se por algum motivo eu caí numa música que gostei, eu adiciono ela na minha biblioteca e ela fica lá pra sempre. Quando eu parar um dia entre reuniões e quiser só ouvir uma música, sem saber o que quero, eu colocaria a biblioteca pra tocar e talvez ela aparecesse de novo.

Eram as minhas músicas, as músicas que por qualquer motivo eu resolvi carregar comigo para todos os lugares, momentos e tempos.

Adivinha? O Spotify matou a antiga "Minhas Músicas". Não existe mais. Não tem nenhum lugar na plataforma inteira que eu possa ouvir todas as músicas que salvei. Tidal tem. Apple Music tem. Deezer tem. Mas o Spotify resolveu que as pessoas agora só podem ouvir playlists. "Ah, mas tem a playlist "Músicas curtidas"".... Então, quer dizer que a solução deles foi uma playlist chamada "Músicas curtidas" sendo que a plataforma sequer tem um botão de curtir? Porque me desculpe, mas um "+" não é curtir. E o melhor... Abre um álbum e "curte" ele clicando no botão "+". Sabe o que acontece? O botão "+" quando dentro do álbum não adiciona nada na playlist de músicas curtidas, ele adiciona na sua biblioteca, que significa basicamente que passa a aparecer na barra lateral cheia de coisas. Sim, o mesmo botão, mesmo design, em um lugar serve para curtir a música e no outro para adicionar o álbum na bilbioteca e são duas ações completamente distintas.

Então é isso. Eu sei que isso não incomoda todos, mas eu acho que é sem sentido. Me pergunto que tipo de métricas foram usadas nesses testes A/B. Eu escuto música de uma maneira específica, quase nunca sei o que quero ouvir. Eu coloco uma seleção de músicas que gosto (minha biblioteca) e espero uma aparecer que está batendo com o meu humor. E agora não posso mais fazer isso, pelo menos não no Spotify.

Relacionamento Tóxico

Com tantos streams de música e com esse ódio tão claro, por que eu ainda me encontro retornando ao Spotify as vezes?

O algoritmo de recomendação dele é bom. E é o único que consegue misturar bem músicas brasileiras com outras. Retornei recentemente a ele, fiquei ~1 ano no Apple Music e estava com uma dificuldade muito grande de conhecer novos artistas e músicas porque em determinado momento o Apple Music só me mandava mais do mesmo, mais do que eu já escutava.

Vou dar uma chance novamente pro Deezer e Tidal. Sei lá. Depois volto aqui pra contar.